A crescente medicalização da infância e a busca desenfreada por diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento, como o autismo, refletem a pressão por alta performance e a visão da criança como uma extensão do ego dos pais. A psicanalista e psiquiatra Patricia Ferraz argumenta que o uso de manuais diagnósticos como checklists simplistas ignora a complexidade do desenvolvimento infantil e a importância de fatores ambientais e relacionais. Comportamentos divergentes não equivalem necessariamente a patologias, e a tendência de medicar crianças para adequá-las a padrões escolares rígidos é um equívoco clínico. O diagnóstico deve servir como ponto de partida para o suporte individualizado, não como um rótulo definitivo. Além disso, o vício em telas e a falta de experiências lúdicas comprometem a formação psíquica, transformando o que seria apenas uma característica da criança em um suposto problema a ser consertado.
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